Cacau, chocolate e Páscoa

A celebração da morte e ressurreição de Cristo é um momento especial e de reflexão para os cristãos sobre o significado da vida e do sacrifício. Contudo, qual a relação entre essa celebração de caráter religioso com o hábito de se presentear as pessoas com ovos de chocolate?

O ovo é um símbolo antigo,  representa a fertilidade e o renascimento. Séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos era um costume de celebração pelo fim do inverno e o início da primavera.

Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, essa cultura de festejar a primavera foi integrada na Semana Santa e os cristãos passaram a ver o ovo como um símbolo da ressurreição de Cristo.

Por ser uma data festiva, era comum pintar os ovos de galinha (vazios) na Páscoa. O incremento com chocolate veio da França. Os franceses recheavam os ovos com chocolate e pintavam por fora. A partir do final do século XIX, com a tecnologia mais avançada, os ovos totalmente feitos de chocolate se espalharam pelos continentes e são utilizados até hoje.

Após essa simplista explicação da relação entre páscoa e chocolate, vamos abordar um pouco sobre o cacau e suas propriedades.

Não é de hoje que o cacau é considerado um alimento funcional. Inúmeros estudos já mostraram suas propriedades, em virtude do seu conteúdo rico em polifenóis (taninos e flavonoides). Essas substâncias são antioxidantes, combatendo a formação de radicais livres e protegendo as células contra danos oxidativos.

Além disso, os polifenois têm atividade cardioprotetora, melhorando as funções endoteliais e diminuindo a agregação plaquetária (formação de coágulos). Existem estudos demonstrando também efeitos anti-inflamatórios das substâncias presentes no cacau.

Então, pensando em todos esses benefícios, qualquer chocolate é indicado?

Na verdade, não! Infelizmente, em virtude de reações químicas, a adição do leite pode causar redução da biodisponibilidade dos polifenóis. Ou seja, diminui o aproveitamento dessas substâncias e a ocorrência dos seus efeitos benéficos. Por isso que Nutricionistas acabam indicando o consumo de chocolates que tenham um percentual de cacau maior ou igual a 70%.

A quantidade de polifenóis no cacau pode variar até mesmo de acordo com a origem geográfica desse produto, a variedade da planta, o clima, o tipo de solo e a região de plantio (fatores agronômicos e ambientais). Além disso, as etapas do processamento do cacau até ser transformado em chocolate também podem influenciar o teor de polifenóis do produto final.

Além de todos esses benefícios, o cacau contém também proteínas, cálcio, ferro e fibras. Muitas pessoas reclamam do sabor amargo dos chocolates ricos em cacau, no entanto, o problema real é a quantidade de açúcar adicionado nos chocolates comuns.

Desde a infância, as crianças ficam habituadas com esse paladar adocicado e passam a rejeitar o que seja diferente (amargo e azedo, por exemplo). Portanto, o mais adequado seria reeducar esse paladar e acostumar com os sabores “verdadeiros” dos alimentos, por exemplo: café e/ou chá e/ou suco e/ou vitaminas sem adoçar. Dessa forma, você consegue distinguir os sabores das frutas, do café e das folhas utilizadas nos chás.

Que tal desvincular-se dos açúcares e saber utilizá-los apenas quando se faz necessário? Isso já seria um grande passo para a sua saúde e reeducação alimentar.

No mais, espero que o seu feriado tenha sido repleto de boas energias, risadas e bate-papo. Que você tenha aproveitado ao máximo o tempo de descanso (para quem pôde descansar) e que tenha tido tempo de celebrar com a sua família e pessoas que você ama.

Boa semana e até a próxima segunda!

Caroline Pappiani Cacau, chocolate e Páscoa

Nutricionista. Doutora em Ciências. Professora Universitária.

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